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Consórcio: Ferramenta de alavancagem e planejamento financeiro

Atualizado: 27 de jan.


Entenda nesse texto como funciona o consórcio, quais são suas vantagens e desvantagens, e como ele pode ser usado tanto como uma ferramenta de aquisição de bens quanto para estratégia de alavancagem financeira do seu patrimônio.


O Consórcio tem se consolidado como uma alternativa interessante e estratégica para quem deseja adquirir bens ou serviços de maneira planejada, sem arcar com os custos de juros normalmente associados a financiamentos. Embora muitas vezes seja visto apenas como uma forma de aquisição de veículos ou imóveis, o consórcio pode ser utilizado para diferentes finalidades e apresenta vantagens, principalmente para quem tem disciplina financeira e um horizonte de médio a longo prazo.


O Consórcio pode ser integrado a uma estratégia diversificada, oferecendo aos clientes uma maneira de planejar aquisições importantes com um custo-benefício potencialmente superior.


O que é consórcio?

O Consórcio é um mecanismo de autofinanciamento coletivo, em que um grupo de pessoas com interesses comuns se organiza para a aquisição de bens ou serviços. A formação desse grupo é organizada por uma administração de consórcios, autorizada e fiscalizada pelo Banco Central do Brasil.


Os participantes realizam pagamentos mensais, formando uma poupança comum. Periodicamente, um ou mais participantes são contemplados por sorteio ou lance, recebendo a chamada "carta de crédito, que lhes permite adquirir o crédito no valor do bem ou serviço contratado.

Uma das grandes vantagens do consórcio é a ausência da cobrança de juros, característica que o diferencia de modalidades de crédito tradicionais, como o financiamento. No consórcio, os custos incluem uma taxa de administração (que é cobrada pela administradora responsável pela gestão do grupo), a correção monetária do valor das prestações (normalmente atrelada ao INCC para consórcio de imóveis) e, eventualmente, seguros e um fundo de reserva.


Essa estrutura de custos mais enxuta pode tornar o consórcio financeiramente mais interessante, especialmente em cenários de taxas de juros elevadas no mercado de crédito.

Vantagens do consórcio

Como mencionado, uma das principais vantagens do consórcio é que, ao contrário do financiamento, não há cobrança de juros. Isso faz com que o custo final da compra por meio do consórcio seja potencialmente menor, tornando-o uma opção atrativa, especialmente em um cenário de elevação da taxa Selic, como o atual.


Vale lembrar que movimentos na taxa Selic são refletidos em todas as taxas de juros da economia - de diferentes modalidades de crédito à financiamentos imobiliários.


Assim, embora as taxas de financiamento habitacional sejam substancialmente mais baixas do que a média observada em outras modalidades (por serem regualdas e parte subsidiada por recursos públicos), elas também seguem a direção da taxa Selic - tendendo a subir conforma a Selic sobe, vice-versa.


O incremento no seu planejamento financeiro é outro ponto forte. O consórcio pode ser ideal para quem não tem pressa de adquirir o bem ou serviço. Ele permite que o investidor se organize financeiramente, já que as parcelas são fixas e a contemplação pode acontecer ao longo do tempo, seja por sorteio, seja por lance. Isso oferece previsibilidade e disciplina financeira.


A flexibilidade da carta de crédito também é um diferencial. Ao ser contemplado, o participante receve uma carta de crédito que pode ser usada para adquirir o bem que desejar, dentro das condições estipuladas pelo grupo. No caso de imóveis, por exemplo, pode ser utilizado tanto para a compra de um novo bem quanto para a quitação de um financiamento existente. Além disso, o valor da carta de crédito pode ser utilizado como pagamento à vista, possibilitanto negociações mais vantajosas.


Por último, consórcio é uma modalidade regulamentada e fiscalizada pelo Banco Central do Brasil, o que garante maior segurança e transparência para os participantes. A instituição que administra o consórcio deve seguir uma série de normas e procedimentos protegendo os interesses dos consorciados.

Como funciona a contemplação?

A contemplação em um consórcio pode ocorrer de duas maneiras: por sorteio ou por lance. O sorteio é realizado de forma aleatória entre os participantes do grupo. Já o lance é uma espécie de "leilão", em que o participante pode ofertar um valor para antecipar sua contemplação.

Geralmente, quem oferee o maior lance tem prioridade na aquisição da carta de crédito.


Tipos de consórcio:

  • Lance livre: É a oferta de um valor adicional ao que já foi pago, permitindo que, se o lance for o vencedor, o consorciado receba sua carta de crédito. Esses lances são definidos em percentual sobre o crédito atualizado, sendo considerado contemplado o consorciado cujo lance representar o maior percentual entre os participantes do grupo.

  • Lance embutido: Neste caso, o participante utiliza parte do valor da própria carta de crédito como oferta, ou seja, ele compromete uma parte do montante total que receberá.

  • Lance fixo: Algumas administradoras de consórcio já predefinem um percentual fixo de lance para contemplação, referente ao valor pendente da carta de crédito, criando um sorteio somente entre os participantes que ofertaram o lance, aumentando as chances de contemplação. Será contemplado aquele que, entre todos, possuir a cota mais próxima da cota sorteada pela Loteria Federal.


Importante lembrar que, mesmo após ser contemplado, o consorciado continua a pagar as parcelas até o fim do prazo do grupo, mantendo o compromisso financeiro firmado.

Seja o participante contemplado pelo sorteio mensal ou pelo lance vencedor, vale lembrar que - assim como no financiamento - até que o contrato seja totalmente quitado, o bem adquirido ficará sob alienação fiduciária. Nesse caso, o bem cujo contrato ainda não foi quitado por completo funcionará como uma garantia para o grupo.

Consórcio como ferramenta de alavancagem financeira

Empora o consórcio não seja um produto de investimento tradicional como ações ou títulos, ele pode ser utilizado como uma maneira de formar ou alavancar o patrimônio - se considerado de maneira coordenada com os objetivos e perfil do consorciado.


Em outras palavras: para além do "sonho da casa própria", o consórcio pode representar uma ferramenta de alavancagem financeira.


Um exemplo disso é a possibilidade de utilizar o consórcio para a aquisição de um imóvel por meio do uso de lances. No caso, o consorciado assina um consórcio, e logo faz o uso de um lance que seja capaz de adiantar a carta de crédito de modo a garantir a aquisição de um imóvel - que será, então, utilizado como fonte de renda extra.

O uso de lances como alavancagem financeira

Considere o investidor hipotético, com R$100 mil em mãos.


Ao invés de usar todo esse valor para comprar um imóvel à vista, ele pode adquirir um consórcio de R$100 mil e oferecer um lance de R$50 mil. Os outros R$50 mil podem ser mantidos em investimentos que gerem retorno recorrentes, como títulos de renda fixa ou fundos imobiliários.


Se o lance for vencedor e o investidor for contemplado rapidamente, ele pode adquirir o imóvel e, ao mesmo tempo, aproveitar os rendimentos do capital investido.


Se o imóvel for alugado, a renda gerada pode ajudar a pagar as parcelas restantes do consórcio, criando um fluxo positivo de caixa.


Deste modo, o consórcio pode ser utilizado como uma forma de complementar o planejamento financeiro. Para quem busca evitar a volatilidade de taxas de financiamento ou não deseja se comprometer com um crédito tradicional, o consórcio oferece uma alternativa sólida.

Além disso, por não haver a incidência de juros - como ocorre no financiamento - o consórcio pode também se provar uma alternativa mais econômica a longo prazo.

Taxas e cuidados

Ao optar por um consórcio, é importante estar atento às taxas envolvidas. Embora não haja cobrança de juros, a administradora cobra uma taxa de administração que varia conforme o produto para o qual o crédito foi contratado. Também pode haver a cobrança de um fundo de reserva e seguros, que são valores adicionais para cobrir eventual insuficiência de recursos ou inadimplências.


Além disso, vale destacar a correção anual da parcela conforme a inflação no período, o que significa que o valor nominal das parcelas não será fixo ao longo da duração do contrato do consórcio.

No consórcio de imóveis, o indicador mais utilizado é o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) e IPCA (Íncide de Preços ao Consumidor Amplo) para veículos.


Esses custos, portanto, devem ser considerados no planejamento.


Para exemplificar, confira na tabela a seguir uma comparação entre o custo de crédito do consórcio e de um financiamento imobiliário, seguindo as modalidades de tabela SAC e PRICE.


Consórcio (Administração total 20,58% + 4% de fundo de reserva)

Financiamento SAC (11% ao ano)

Financiamento PRICE (11% ao ano)

24,5%

58%

65%

Valores aproximados e hipotéticos para pagamentos no prazo de 134 meses, sem amortizações. Taxas de contratação podem variar de acordo com a empresa e condições do mercado.

*taxa de administração média de consórcio imobiliário em 2023. Fonte: Central do Brasil.


Outro ponto importante é a análise da idoneidade da administradora de consórcios.


Como o consórcio é uma modalidade regulamentada pelo Banco Central, é fundamental que a administradora escolhida siga as normas estabelecidas e esteja devidamente registrada no órgão regulador. Isso garante que o consorciado esteja protegido e que a operação seja transparente e segura.

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